11 abril, 2006

Primórdios da Psicologia Experimental: Funcionalismo e Estruturalismo


Para falarmos sobre as correntes responsáveis pelo surgimento da psicologia experimental como o Funcionalismo, Estruturalismo e até mesmo o Associacionismo precisamos primeiro fundamentar sobre outro movimento, ou melhor, sobre o significado de um termo, a saber, o pragmatismo.
O pragmatismo é uma doutrina filosófica que a tese central busca constatar que a validade de uma doutrina, consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação. Por outras palavras, as idéias devem ser instrumentos de ação. As idéias só são válidas, se produzirem efeitos práticos. Logo, diz-se então que, algo é pragmático quando é relativo aos atos que se devem praticar, quando é referente às aplicações práticas e voltadas para a ação.
É exatamente está procura de tornar e valorizar como úteis às coisas práticas, a responsável em fazer surge na psicologia a necessidade de ter um conhecimento maior sobre a psique e o comportamento humano no sentido de melhor controle e exploração prática.

O funcionalismo
O funcionalismo teve como um de seus criadores o filósofo e professor Willian James (1842-1910) e como berço os Estados Unidos do fim do século XIX e início XX que começa firmar-se definitivamente como uma sociedade capitalista e industrial e mais do que nunca tinha forte apreço pelo prático.
Para o funcionalismo importa responder, “o que fazem os homens” e “por que o fazem”, “qual o papel da mente para o êxito dos organismos ou animais na luta pela existência”. Para responder isso, os psicólogos funcionalistas elegem a consciência como o centro de suas preocupações e buscam a compreensão de seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adaptar-se ao meio. Para W. James, a mente evoluiu com o propósito de dirigir um sistema nervoso levado a tal complexidade que já não pode regular suas atividades por si próprio.
Foi a 1a psicologia “sistemática”: definição + métodos + problemas + classificação dos resultados.
Definição: a psicologia é “a ciência da experiência imediata, consciência ou processo mental”. Experiência: sensações, percepções, sentimentos, emoções etc.
Características:
Anti-estruturalistas;
Ênfase à função e não a estrutura. Dar respostas às perguntas: o que é que os processos mentais realizam? Como trabalha, os processos mentais?;
Ênfase aos valores do bom senso e à prática;
Ênfase à biologia darwiniana;
Inclusão de psicologia animal, da criança, do anormal, diferencial e outras;
Objeto de estudo:
A atividade mental no sentido de pensar, sentir, imaginar, perceber mas voltada para a função de funcionamento do organismo humano. A atividade mental é atividade psicofísica, envolvendo estruturas físicas: sentidos, músculos e nervos.
Problema: Qual a relação entre organismo e meio ambiente? 1o como se exerce a atividade mental, 2o o que ela desempenha e 3o por que tem lugar. Os assuntos psicológicos incluem o conceito de “arco reflexo” e o conceito de “comportamento adaptativo”.
Métodos:
Observação subjetiva ou introspecção: apreensão das próprias operações mentais do observador. Neste caso é o próprio cientista o objeto de estudo.
2o Observação objetiva: apreensão de operações mentais de um outro indivíduo na medida em que se refletem no seu comportamento, de animais, crianças, primitivos e insanos e testes “mentais” (na verdade testes “comportamentais”).Os funcionalistas foram além do indivíduo humano, normal e adulto.
Classificação de resultados:
“todos os estímulos sensoriais exercem certo efeito sobre a atividade do organismo”;
“toda a atividade ... é iniciada por estímulos sensoriais” – é muito difícil, senão impossível, descobrir o estímulo iniciador de muitas respostas. Estas podem ser devidas à estimulação vinda de dentro do organismo, por exemplo, fome, sede e dores internas.
“há um processo contínuo de interação entre estímulos sensoriais e respostas motoras” – toda resposta altera a situação sensorial e assim determina, em parte, a natureza das respostas subseqüentes.
comportamento adaptativo: um estímulo motivador, uma situação sensorial e uma resposta que altere a situação de modo a satisfazer as condições motivadoras. “O motivo é sempre um estímulo” – geralmente interno - e praticamente idêntico ao que alguns psicólogos chamam “necessidades orgânicas”, “impulsos”, “carências”. “Um estímulo relativamente persistente que domina o comportamento do indivíduo até que reaja de maneira a não mais ser afetado por ele”. Um organismo reage à “situação sensorial” como um todo enquanto se adapta a um único aspecto dela. As respostas de um comensal faminto, à mesa, fornecem uma boa ilustração. Finalmente, o comportamento adaptativo supõe uma resposta que modifique a situação sensorial e satisfaça as condições motivadoras.
O funcionalismo afastou-se da visão da psicologia como estudo da mente ou experiência, para se aproximar da visão biológica como o estudo das reações do organismo.

O estruturalismo
O estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno que o Funcionalismo: a consciência. Mas, diferentemente de W. James, Edward Bradford Titchener (um dos criadores) irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central.
Definição: Psicologia é a ciência da mente, aquela que pode ser descrita em termos de fatos observados, mas não como um serzinho insubstancial dentro de nossas cabeças.
O método: é baseado na observação de introspecção, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório.
Há um experimentador e um observador nos estudos de laboratório. O experimentador estabelece as condições essências e o observador relata sua “experiência” relatório que é registrado, naturalmente, pelo experimentador. a) atitude em relação à própria experiência; b) experienciar ele próprio; c) relato adequado da experiência em palavras.
Fonte:
KELLER, Fred Simmons, 1899-. A definicão da psicologia. São Paulo, Herder, p.159p., 1970-1974.

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