29 junho, 2006

Sigmund Freud e a Psicanálise I

Quando Freud propôs que o instinto sexual é base do comportamento, como ele estava definindo “instinto sexual?”
Até hoje, Sigmund Freud (1856-1939) é o mais conhecido e o mais influente de todos os teóricos psicodinâmicos. (...), Freud criou uma perspectiva inteiramente nova do estudo do comportamento humano. Até então, a psicologia havia se concentrado no consciente, isto é, os pensamentos e sentimentos dos quais estamos cientes. Em um movimento radical, Freud ressaltou o inconsciente — todas as idéias, os pensamentos e os sentimentos dos quais normalmente não temos consciência. As idéias de Freud formam a base da psicanálise, um termo que se refere tanto a teoria da personalidade como a forma de terapia que ele criou.
De acordo com Freud, o comportamento humano baseia-se nos instintos ou impulsos inconscientes. Alguns instintos são agressivos e destrutivos; outros, tais como fome, a autopreservacao e o sexo, são necessários a sobrevivência do individuo e da espécie. Ele utilizava o termo instintos sexuais para se referir não somente a sexualidade erótica, mas tambem ao desejo de obter praticamente qualquer forma de prazer. Nesse sentido mais amplo, Freud considerava o instinto sexual o fator mais critico no desenvolvimento da personalidade.
Como a personalidade é estruturada
Freud afirmou que a personalidade forma-se ao redor de três estruturas: o id, o ego e o superego. O id, a única estrutura presente no nascimento, é completamente inconsciente. Na visão de Freud, o id consiste de desejos e impulsos, que buscam expressar-se permanentemente. Ele age de acordo com o principio do prazer, isto é, procura obter prazer imediato e evitar a dor. Assim que surge o instinto, o id tenta satisfaze-lo. Entretanto, como não esta em contato com o mundo real, ele tem apenas duas maneiras de obter gratificação. Uma é por meio de ações reflexas, tais como tossir, que alivia uma sensação desagradável de maneira imediata. A outra é por meio de fantasia, ou o que Freud chamou de realizações de desejo. Uma pessoa forma uma imagem mental de um objeto ou uma situação que gratifica parcialmente o instinto e alivia a sensação de tensão. Esse tipo de pensamento ocorre com maior freqüência em sonhos e devaneios, mas pode tomar outras formas. Se alguém o insulta, por exemplo, e você passa a meia hora seguinte imaginando como poderia ter respondido a esse insulto de uma maneira inteligente, você esta em m processo de realização de desejo.
Imagens mentais dessa natureza oferecem alívio passageiro, mas não podem satisfazer a maioria das necessidades. Apenas pensar em estar com alguém que você ama não é um substituto à altura do estar de fato com essa pessoa. Portanto o id, não é por si só muito eficaz em satisfazer os instintos. Ele deve conectar-se à realidade se quiser aliviar sua tensão. O elo do id com a realidade é o ego.
Freud concebeu o ego como o mecanismo psíquico que controla todas as atividades de pensamento e raciocínio. O ego age de maneira parcialmente consciente, pré-consciente e inconsciente. (Pré-consciente refere-se ao conteúdo que não se encontra no nível do consciente mas pode ser facilmente recuperado.) O ego aprende a respeito do mundo externo por meio dos sentidos e procura satisfazer os impulsos do id no mundo externo. Porém, em vez de agir de acordo com o princípio do prazer, ele age de acordo com o princípio da realidade: por meio do raciocínio inteligente, o ego tenta adiar a satisfação dos desejos do id até poder fazê-lo de maneira segura e bem-sucedida. Se você tiver sede, por exemplo, seu ego tentará determinar a melhor maneira de matar a sua sede com segurança e eficiência.
Uma personalidade que consistisse somente do id e do ego seria totalmente egoísta. Iria se comportar de maneira eficaz, mas insociável. Um comportamento inteiramente adulto é governado não somente pela realidade, mas também pela moralidade, isto é, pela consciência do indivíduo ou pelos padrões morais que o indivíduo desenvolve na interação com seus pais e a sociedade. Freud chamou este “cão de guarda” de superego.
O superego não está presente ao nascermos. Na verdade, as crianças pequenas são amorais e fazem qualquer coisa que lhes dá prazer. Conforme amadurecemos, porém, assimilamos, ou adotamos como nossas, as opiniões de nossos pais a respeito do que é “bom” e do que é “mau”. Com o tempo, a repressão externa aplicada por nossos pais dá lugar a nossa própria auto-repressão. O superego, finalmente agindo como a consciência, assume a tarefa de observar e guiar o ego, o superego age consciente, pré-consciente e inconsciente.
De acordo com Freud, o superego também compara as ações do ego a um ideal do ego, um modelo de perfeição, e então gratifica ou pune o ego com base nessa comparação. Infelizmente, o superego às vezes é muito impiedoso em seu julgamento. Um artista dominado por um superego muito punitivo, por exemplo, pode perceber a possibilidade de jamais igualar-se a um Rembrandt e, em desespero, desistir de pintar.
De maneira ideal, o id, o ego e o superego trabalham em harmonia, com o ego satisfazendo as necessidades o id de maneira razoável moral e aprovada pelo superego. Estamos então livres para amar, odiar e expressar nossas emoções de modo sensato e sem culpa. Quando nosso id é dominante, nossos instintos ficam fora de controle e temos mais probabilidades de colocar a nós e à sociedade em perigo. Quando o superego é dominante, nosso comportamento é controlado de modo muito rigoroso e nos inclinamos a julgar a nós mesmos de maneira severa ou precipitada, o que prejudica mossa capacidade de agir por nossa própria conta e nos divertir.

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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

Um comentário:

Anônimo disse...

valeu por quem escreveu, ajudou ao meu trabalho de filosofia. até mais! obrigada!