30 junho, 2006

Sigmund Freud e a Psicanálise II

Como se desenvolve a personalidade
A teoria de Freud do desenvolvimento da personalidade concentra-se na maneira como satisfazemos o instinto sexual no decorrer da vida. Freud considerava o instinto sexual de maneira ampla, como um forte desejo de obter todos os tipos de prazer sexual. Ele denominava a energia gerada pelo instinto sexual de libido. À medida que os bebês crescem, sua libido concentra-se em diferentes regiões sensíveis do corpo. Durante os primeiros 18 meses de vida, a fonte dominante de prazer sexual é a boca. Após os 18 meses, a sexualidade move-se para o ânus; e por volta dos três anos, move-se novamente, mas agora para os genitais. Para Freud, as experiências das crianças em cada uma dessas fases marcam sua personalidade com tendências que permanecem até sua fase adulta. Se uma criança é privada do prazer (ou lhe é permitido muita gratificação) da região do corpo que domina uma determinada fase, parte da sua energia sexual pode permanecer fixada àquela parte do corpo, em vez de seguir sua seqüência normal para permitir ao indivíduo uma personalidade inteiramente integrada. Isso chama-se fixação, a qual, como veremos, Freud acreditava levar a formas imaturas de sexualidade e a certos traços característicos de personalidade. Veremos mais atentamente as fases psicossexuais que Freud identificou e sua suposta relação com o desenvolvimento da personalidade.
Na fase oral (do nascimento até os 18 meses), os bebês, que dependem completamente de outras pessoas para satisfazer suas necessidades, aliviam sua tensão sexual ao sugar e engolir; quando nascem os primeiros dentes, eles sentem prazer oral ao mastigar e morder. De acordo com Freud, os bebês que recebem muita gratificação oral durante essa fase tornam-se adultos demasiadamente otimistas e dependentes. Aqueles que recebem muito pouca gratificação tornam-se pessimistas e hostis. A fixação nessa fase está relacionada a características de personalidade tais como falta de confiança, gula, sarcasmo e disposição para brigas.
Durante a fase anal (aproximadamente dos 18 meses aos três anos e meio), a fonte primária de prazer sexual passa para o ânus. Justamente quando as crianças aprendem a sentir prazer ao reter ou excretar fezes, começa o treino de toalete e elas devem aprender a regular esse novo prazer. Na visão de Freud, se os pais forem muito rígidos com o treino, algumas crianças começam a ter acessos de raiva e podem levar uma vida autodestrutiva quando adultos. Outras tornam-se obstinadas, avarentas e excessivamente organizadas. Se os pais são muito permissivos, seus filhos podem tornar-se desorganizados, desordenados e pouco asseados.
Quando as crianças entram na fase fálica (após os três anos), descobrem seus genitais e desenvolvem uma forte ligação com o genitor do sexo oposto, ao mesmo tempo em que sentem ciúme do genitor do mesmo sexo. Nos caso dos meninos, Freud chamou esse conflito de complexo de Édipo, em homenagem ao personagem da mitologia grega que matou seu pai e casou-se com a mãe. As meninas passam pelo equivalente complexo de Electra, que envolve o amor possessivo pelo pai e o ciúme da mãe. Um estudo recente encontrou sustentação na idéia de que, em crianças e jovens, demonstrações de afeto pelo genitor do sexo oposto e ciúme do genitor do mesmo sexo são mais comuns que a situação inversa ( Watson e Getz, 1990). A maioria das crianças finalmente resolve esses conflitos na identificação com o genitor do mesmo sexo. Entretanto, Freud sustentava que a fixação nessa fase leva à vaidade e ao egoísmo na idade adulta: os homens vangloriam-se de suas proezas sexuais e tratam as mulheres com desprezo, e as mulheres tornam-se levianas e promíscuas. A fixação fálica também pode gerar sentimentos de baixa auto-estima, timidez e desvalorização.
Freud acreditava que, no final da fase fálica, as crianças perdem o interesse pelo comportamento sexual e entram em um período de latência. Durante esse período, que começa por volta dos cinco ou seis anos e termina aos 12 ou 13, os meninos brincam com as meninas, as meninas brincam com os meninos, e nenhum dos sexos demonstra muito interesse pelo outro.
Na puberdade, o indivíduo entra em sua última fase psicossexual, a qual Freud chamou de fase genital. Nesse momento, os impulsos sexuais são novamente despertados. Ao fazer amor, o adolescente e o adulto são capazes de satisfazer desejos não realizados na infância. De maneira ideal, a gratificação imediata desses desejos leva à sexualidade madura, da qual fazem parte o adiamento da gratificação, o senso de responsabilidade e o cuidado por outras pessoas.
As feministas atacaram a visão fálica e machista de Freud do desenvolvimento da personalidade, especialmente pelo fato de ele ter formulado a hipótese de que todas as meninas se sentem inferiores por não possuir pênis. Muitas pessoas atualmente vêem a inveja do pênis como muito menos central ao desenvolvimento da personalidade do que Freud imaginava ( Gelman,1990). Na verdade, toda a idéia de que o desenvolvimento das personalidades masculina e feminina segue linhas similares está sendo contestada. Assim, se for o caso, as etapas de desenvolvimento singularmente femininas podem deixar as meninas com capacidades e habilidades importantes, subestimadas ou minimizadas na teoria freudiana.
As crenças de Freud, sobretudo sua ênfase na sexualidade, não foram totalmente endossadas nem pelos membros de sua própria escola psicanalítica. Carl Jung e Alfred Adler, dois dos primeiros colaboradores de Freud, acabaram rompendo com ele e formularam suas próprias teorias psicodinâmicas da personalidade. Jung expandiu o alcance do inconsciente muito além das satisfações egoístas do id. Adler acreditava que o ser humano tem objetivos positivos- e conscientes – que guiam seu comportamento. Outros teóricos psicodinâmicos enfatizam o ego e suas tentativas de dominar o mundo. Esses neofreudianos, principalmente Karen Horney e Erik Erikson, concentraram-se na influência da interação social sobre a personalidade.
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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Pág. 344-348

Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

4 comentários:

Ezequiel Martins disse...

Interessante texto sobre a teoria freudiana, porém deturpa-se a verdade em dizer "a teoria machista de Freud" acredito que poderia muito melhor se utilizar do termo "a teoria fálica de Freud" tomando falo aqui como substituto de penis e não como carater simbólico expresso muito bem por Lacan.

Abraço. (entresurtos.blogspot.com)

Anônimo disse...

Teoria machista está mais que correto,Freud nos prejudicou e muito.É muita arrogância um homem afirmar que conhece nossa sexualidade mais do que nós mesmas e ainda criou o termo "mulher histérica",que significa todas aquelas que rejeitam o subjulgo masculino(ser classsificada como objeto sexual).Ou seja,nossa natureza é ser oprimida,rejeitar é "loucura".E com isso,vem nosso silenciamento,típico em tratamentos psicológicos:qualquer uma de nós que ousar discordar destee de outros "grandes homens" é porque "não conseguimos entender sua complexa teoria" ou outra baboseira do gênero.
E sinceramente acho doentio uma pessoa achar que tudo é movido á sexo nessse mundo.Não somos genitais ambulantes e fico supresa como ainda vanglorizam este senhor.
Jung tem teorias bem mais realistas,porém,já como não serve na manutenção do patriarcado e ainda sugere a existência da reencarnação(tabu para o poder católico vigente),fica relegado ao segundo plano.

Anônimo disse...

aqui um texto que fala como Freud contribuiu para que vítimas de estupros fossem desacretitadas:

http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_12/12_dossie_JuniaVilhena.pdf

lá na página 11

Anônimo disse...

Li o texto sugerido aí acima, e na página 12 diz claramente que Freud afirmava que o desejo não justifica o ato, tendo que se separar o nível psicanálitico do jurídico... Freud admitia sua incapacidade em não conhecer muito bem as mulheres. Além disso, coloquem o homem no seu tempo. Antes dele, as mulheres já eram denominadas loucas e histéricas, e submetidas aos mais horríveis tratamentos. Freud foi um dos poucos e primeiros a acreditar na psicanálise, no falar e ouvir como forma de tratamento ou amenização das angústias.