09 julho, 2006

Abraham Maslow - Psicologia Humanística II (Contabilidade e Secretariado)

Abraham Maslow tinha formação em psicologia experimental e havia pesquisado o comportamento dominante nos primatas, mas num dado momento trocou o que julgava uma abordagem científica reducionista e estéril pela estratégia humanística mais holística. Depois de concluir um doutorado em 1934, ele foi para Nova York e acabou tornando-se professor do Brooklyn College, onde permaneceu até 1951, tendo então se transferido para a Brandeis University (perto de Boston) e permanecendo ali até o fim de sua carreira. Maslow é conhecido entre os alunos de psicologia geral por sua hierarquia das necessidades, modelo que propõe uma série de sistemas de necessidades que estavam abaixo, arrumada em forma de pirâmide, com as de níveis inferiores e mais primitivas em baixo e a auto-realização no topo. Para atingir a uto-realização, era necessário satisfazer todas as necessidades que estavam abaixo: necessidades fisiológicas, de segurança, de amor e entrosamento e de auto-estima, nessa ordem. Para Maslow, o estudo da auto-atualização, ao contrário das estratégias voltadas para os distúrbios psicológicos (como, por exemplo, a psicanálise de Freud), produziria uma psicologia mais saudável. Conforme disse num trecho citado muitas vezes, “o estudo de espécimes traumatizados, atrofiados, imaturos e doentios só pode produzir uma psicologia igualmente prejudicada. [...] O estudo de pessoas que se auto-atualizam deve constituir a base de uma ciência mais universal da psicologia” (Maslow, 1954, p.234). Maslow seguiu seu próprio conselho e analisou mais detidamente o conceito de auto-atualização, identificando pessoas reais cuja história levasse a crer que eram personagens auto-atualizados e, em seguida, buscando elementos comuns entre elas. O trabalho começou informalmente­­ e ele refletiu sobre duas pessoas que havia conhecido em Nova York, a antropóloga Ruth Benedicit e o psicólogo gestaltista Max Wertheimer. Maslow diria posteriormente que, enquanto estudava Benedicit e Wertheimer, percebeu que “ os dois padrões (dessas duas pessoas) poderiam ser generalizados. Eu estava falando sobre um tipo de pessoa, e não sobre dois indivíduos que não poderiam ser comparados. [...] Tentei descobrir se esse padrão poderia ser encontrado em outras pessoas” (Maslow, 1971, pp. 41-42). E podia. Usando de diversas técnicas, Maslow identificou várias pessoas que aparentemente compartilhavam alguns dos atributos de Benedicit e Wertheimer. Maslow descobriu que as pessoas que se auto-atualizavam percebiam a realidade com precisam, eram extremamente independentes e criativos, agiam de fôrma espontânea e natural com os demais, viam seu trabalho mais como uma carreira ou vocação, que como um emprego, possuíam um forte código moral e ocasionalmente tinham momentos de satisfação ou fruição intensas, aos quais denominou experiências de pico.
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Hierarquia das motivações (por ordem crescente):

1. Necessidades fisiológicas (água, luz solar, alimento, oxigênio, sexo, moradia);
2. Necessidades de segurança (estar livre do medo e das ameaças, de não depender de ninguém, de autonomia, de não estar abandonado, de proteção, de confidencialidade, de intimidade, de viver num ambiente equilibrado);
3. Necessidades de afeto ou de pertença (afiliação, afeto, companheirismo, relações interpessoais, conforto, comunicação, dar e receber amor);
4. Necessidades de prestígio e estima social (respeito pela própria dignidade pessoal, elogio merecido, auto-estima, individualidade, identidade sexual, identidade sexual, reconhecimento);
5. Cognitivas e de curiosidade, de conhecer o mundo (saber, inteligência, estudo, compreensão, estimulação, valia pessoal);
6. Estéticas (realização de possibilidades, autonomia pessoal, ordem, beleza, intimidade, verdade, objetivos espirituais);
7. Necessidades de auto-realização e criatividade (auto-expressão, utilidade, criatividade, produção, diversão e ócio).
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Fonte:
GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. Trad. de Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2005. P. 456 - 457. (primeira parte)
Digitação de Simone Daiane A. Alves (Aluna da Turma 613 - Secretariado)

4 comentários:

lindinha disse...

Oi sor,sou da 614.Será que alguma pessoa já alcançou todas as necessidades necessárias??Como ela reagiria tendo alcançado todas elas??É de fato mais feliz??

Jarbas disse...

Lindinha!!! Que bom te conhecer!!! Mas respondendo sua pergunta, creio que sim.
Você não concorda que uma pessoa de barriga cheia é mais feliz que alguém com fome!? Você não concorda que alguém que realmente faz o que goste seja mais feliz do que alguém que faz o que não gosta!? Você não concorda comigo que alguém que se sente seguro e que recebe afeto seja mais feliz do que alguém ameaçado?! E o que falar de alguém que esteja espiritualmente em paz com relação há alguém que se encontra atormentado!? Ou ainda, das pessoas que conseguem entender melhor o mundo com relação as que vivem na inércia de sua ignorância!? Auto-atualizar-se é isso, ou melhor, atingir o potencial de vida na plenitude (harmonia) em todas as necessidades da pirâmide.
Se vc prestou atenção em nosso próprio texto analisado em aula, verá que Maslow afirma que sim. Ele mesmo realizou estudos com pessoas reais que se enquadraram no conceito de auto-atualização. O pelo menos que suas histórias levaram a crer serem auto-atualizadas. Uma dessas pessoas foi a antropóloga Ruth Benedict e outra o filósofo e gestaltista Max Wertheimer.
A pessoa auto-atualizada é alguém que apresenta em suas características uma interpretação precisa de sua realidade, de seu tempo; extremamente independente, criativa, estudiosa; que possui um bom código e comportamento moral; apresente vocação e gozo na aquilo que faz (trabalho), bem como de satisfação em suas relações sociais no dia-a-dia.
Portanto, creio que sim, existam sim pessoas auto-realizadas. Mas para atingirmos nossa auto-atualização é necessário coragem e determinação.
Por outro lado, é claro que nosso meio não nos ajuda. Pois somos a cada dia levados pelos meios de comunicação a crer que é necessário sermos “diferentes”, “livres” e com isso nos tornamos iguais, massificandos nos valores, nossos desejos, no sentir e pensar; somos objetos de uma cultura que nos obriga o tempo todo a pensar e consumir mais e mais, na qual as relações e o respeito só se dão por interesses e pelo resultado.
Então como podemos ser afetivos? Como se sentir seguro em um sistema em que as desigualdades sociais são estarrecedoras? Em que todos os dias a violência bate em nossa porta? É preciso coragem e força de vontade, pois mesmo com todas essas situações, creio que dá. A final é preciso primeiro sonharmos.
Acho que seria isso, na dúvida pergunte de novo. Abraço, Jarbas.

Waldir disse...

Prof. Jarbas

Gostaria de saber se o tema interdependência das necessidades humanas, tem haver com necessidade de auto atualização, pois quando falo de necessidades humanas tenho que citar que hoje para alcançar algumas de nossas necessidades humanas temos que estar atualizados com o nosso mundo,
Gostaria que o sr. comentasse a respeito.

Ana disse...

Olá,gostaria de saber em que a teoria de Maslow se opõe a teoria do Behoverismo?E qual o fundamento teorico apresentado por Maslow para justificar sua preferencia em estudar no sentido psicologico pessos consideradas automente auto-atualizads?