03 julho, 2006

Desejo e mídia - Psicanálise VI

Muitos pressupostos da psicanálise podem também nos ajudar a compreender, ao menos em parte, estratégias empregadas pela mídia a fim de que determinadas propagandas e publicidades tenham resultado.

No ser humano existem inúmeros desejos, como desejos de consumo, desejo de afeto, etc. Vamos considerar dois pontos da abordagem psicanalítica que iluminam o caminho em direção à compreensão desses fenômenos. O primeiro refere-se aos processos mentais da ação mútua de forças que são originalmente da natureza de instintos (Freu,1980, vol.20)

Mas qual a importância de entender os instintos, a libido e suas fases para a comunicação? Reconhece Freud que todos os desejos, impulsos instintos, modalidades de reações e atitudes da infância acham-se ainda demonstravelmente presentes na maturidade e, em circunstância apropriada, podem mais uma vez surgir.

Comerciais de televisão podem auxiliar determinadas pessoas a encontrar uma fonte de satisfação para desejos que ficaram insatisfeitos na infância. Por exemplo, certo comercial de cerveja ilustra isso ao associar sua embalagem (símbolo fálico) a uma parte do corpo da mulher, colocando uma garrafa ao lado da outra, causando a impressão de que elas formam seios (símbolos orais).

O segundo ponto (...) refere-se ao princípio do prazer-desprazer. O desprazer estárelacionado com um aumento de excitação, e o prazer com uma redução. Como a satisfação de parte das necessidades dos seres humanos é regularmente frustrada pela realidade, procuramos encontrar algum outro meio de manejar nossos impulsos insatisfeitos. È justamente aí que está o perigo, pois sabendo que existe uma tendência interior a buscar sempre o prazer, e que a realidade não satisfaz sempre esse prazer, os comerciais tentam, então, suprir nossas carências de modo que o princípio do prazer sobrepuje seu rival.

Então comerciais que incitam busca de prazeres que são difíceis de ser conquistados podem acarretar conseqüências negativas para os próprios seres humanos.

Fonte:

JACQUES, Maria da Graça Corrêa. Psicologia social contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2002. P. 149 a 150

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