09 julho, 2006

Sensação e Percepção I

O que você vê?Uma pessoa?Ou a palavra LIAR???
Todos os dias utilizamos a palavra sensação. Mas o que é uma sensação?
A sensação é um processo fisiológico de ligação do organismo com o meio, através dos órgãos sensoriais, e consiste na transmissão de um influxo nervoso ( corrente elétrica que percorre os nossos nervos) desde o órgão sensorial até aos centros de decodificação. Realiza-se pela ação de um estímulo específico sobre um receptor que é apropriado para o receber. Assim, por exemplo, os olhos recebem estímulos luminosos, os ouvidos estímulos sonoros, etc.
Os nossos sensores são, assim, os órgãos dos sentidos que recebem e transmitem mensagens bioquímicas sob a forma de influxo nervoso que após serem decodificadas e interpretadas nos centros nervosos de conexão (espinal medula e encéfalo), desencadeiam uma resposta motora ou glandular.
Com efeito, a sensação consiste numa espécie de apresentação isolada das qualidades dos objetivos constituído a base da percepção, se bem que não se possa isolar dela. É, por conseguinte, a via através da qual entramos em contato com o meio e que está, portanto, na gênese do conhecimento, fornecendo-lhe os elementos imediatos e sensíveis que vão ser objetos de um processo de interpretação e organização a que chamamos de percepção.
Assim sendo, a percepção é uma configuração e organização desses elementos que a nossa mente integra nas nossas experiências passadas, ligando e unificando-os, isto é, filtrando-os através dos fatores de significação que a linguagem e as referências culturais de cada um já criaram.
É assim que, partindo de uma multiplicidade de informações presentes e passadas, a p percepção se constitui como uma construção individual, e é por isso que este processo, dependendo, por um lado, dos mecanismos sensoriais e, por outro, das vivências individuais, permite construir uma visão da realidade já muito complexa, a qua cada um pode atribuir um significado particular.
(...)
Tomemos como exemplo disso o testemunho de um cidadão americano que, em Paris, se dá conta desta seletividade da nossa percepção:

“Eu moro em Gaches (ele queria dizer Garches), nos arredores de Paris e
muitíssimas vezes tenho de voltar para casa de táxi; ordeno, então, ao condutor:
'Gaches', mas ele não compreende. Repito-lhe em todos os tons,
virando a pronúncia: Gaches, Gâches, Giches, Gêches, Gueches, Guches, Gûches,
Guiches, Gaiches... leva muito tempo a compreender... muitas vezes preciso de
monstrar-lhe Gaches no mapa...; enfim, quando o condutor acaba por me
compreender, responde peremptoriamente
(é o americano que fala): "Ah! Gaches! Porque não disse mais cedo?" Ora é certo que o condutor disse
Garches e não Gaches, mas o americano não ouviu o 'r' e, portanto,
não percebe a diferença entre Garches e Gaches, uma vez que subestima, despreza
e anula o 'r' de Garches.

Jean Fourastié, Idéias
para o Progresso Social e Científico, Livros do Brasil, pág. 139.

Costumamos acreditar que se vê com os olhos e que se ouve com os ouvidos, e que ver e ouvir são fenômenos objetivos e, por isso, pensamos que quando um som, por exemplo, é emitido também deve ser percebido objetivamente pelo ouvido humano.
Ora, pelo contrário, o que o exemplo acima citado demonstra é que:
a) o ouvido humano, neste caso particular, e os sentidos, de um modo geral, são apenas sensores para obter dados, que transmitem ao cérebro;
b) os sentidos nem sequer captam todos os dados (só os que se mostram adequados a cada tipo de sensores e que se apresentam com uma determinada intensidade, abaixo ou acima da qual não são captáveis);
c) o centro decodificador (o cérebro) só aprende e decodifica uma parte das informações que recebe.
Como é, então, que este centro decodificador processa a seleção dos dados? Fá-lo em função:
- do conteúdo anterior do pensamento;
- da estrutura dada à mente por experiências passadas;
- do interesse e da capacidade de fixar a atenção;
- da expectativa face a um determinado estímulo.
Se o cérebro foi educado para perceber um determinado som, percebe-o facilmente; de contrário, precisará de uma reaprendizagem. Temos todos tendência para supor que as nossas percepções (visuais, auditivas, tácteis...) são registros diretos da realidade e que os órgãos receptores e decodificadores a captam e percepcionam tal como ele é. Esta tendência, a que os filósofos chamam realismo ingênuo supõe que:
- o mundo que percebemos é idêntico ao mundo real;
- para perceber (ou percepcionar) o mundo real, é preciso apenas “abrir” os nossos sentidos, que nos darão dele uma representação adequada.
Parecem, porém, que a percepção dos objetos não se processa de modo análogo ao registro feito por uma máquina fotográfica. A própria ciência tem vindo a demostrar que o mundo é muito diferente daquilo que os nossos sentidos nos mostram. Desde Galileu que já não podemos confiar nos nossos sentidos, pois se os sentidos nos mostram que o sol se desloca num movimento diário de Oriente para Ocidente, a nossa razão diz-nos que isso é uma ilusão.
Por outro lado, há realidades que a ciência descobriu e que são invisíveis aos sentidos (os campos eletromagnéticos, as partículas atômicas, determinadas freqüências de som, ou comprimentos de onda da luz, etc.). Tudo isto nos leva à necessidade de considerar um outro elemento fundamental no processo do nosso relacionamento com a realidade. Esse elemento chama-se RAZÃO.
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Fonte:
ALVES, Fátima. AREDES, José. CARVALHO, José. A chave do Saber- Introdução à filosofia 11º ano. Lisboa: Texto Editora, 2002. P. 153 - 155.

7 comentários:

Anônimo disse...

fantastico, incrivel como algo bem mais detalhado nos da uma noção maior de nossas limitações!!!

parabens!

Juliana Bortoluzo disse...

Parabéns!
Sempre que tenho alguma duvida, encontro o que procuro de maneira simples e objetiva.
Juliana

Anônimo disse...

gostei muiito de saber sobre o teu trabalho. Parabens

cristhiane disse...

NAO CONHECIA SEU TRABALHO AGORA TIVE ACESSO E ADOREI FAÇO PEDAGOGIA E ME AJUDOU MUITO.
VALEU!!!!!!!!!!!!!
CRISTHIANE GODINHO/SV/SP

profarrabal disse...

Para contribuir com o tema, sugiro consultar estes links:

http://www.praticadapesquisa.com.br/2010/12/inconsistencias-no-processo-cognitivo.html

http://www.praticadapesquisa.com.br/2011/01/inconsistencias-no-processo-cognitivo.html

Cordialmente,
Prof. Alejandro Knaesel Arrabal

julia malungo disse...

julia malungo

muito obrigado consegui tirar as minhas duvidas sobre percepçao e sensaçao. foi fixe porque estou a fazer psicologia

julia malungo disse...

gostei muito
tirei as minhas duvidas sobre percepçao sensaçao.porque estou a fazer licenciatura de psicologia
adorei!!!!
parabens!!!!!!!!!!!!