28 agosto, 2006

Psicologia humanística IV - O olhar humanístico (Contabilidade e Secretariado)


“ Uma pessoa faz aquilo que é; uma pessoa se torna aquilo que ela faz.”
Robert Musil

A mensagem deixada pelos psicólogos humanistas é que todos os seres humanos são capazes de realizar seus sonhos. Todos possuem a capacidade da auto-realização. Para que isso ocorra é preciso que cada um encontre e desenvolva suas capacidades. Introspecção aqui é importante para o auto-conhecimento. Vejamos o que Rogers nos diz:

“Minha experiência me obriga a concluir que o indivíduo tem em si a capacidade e a tendência – latente, se não evidente – de prosseguir rumo à maturidade. (...) Essa tendência pode estar profundamente soterrada sob camada de defesas psicológicas cristalizadas; pode esconder-se por trás de fachadas elaboradas que lhe neguem a existência, mas eu estou certo de que ela existe em todo indivíduo e espero apenas as condições próprias para ser liberada e expressa.” Rogers (1961, apud GOODWIN, 2005).

Neste sentido, pode-se observar que uma das premissas centrais da teoria humanística (tanto de Maslow como de Rogers) é o pressuposto de que as pessoas usam suas próprias experiências para se auto-definirem. É preciso que a partir de nós mesmos sejamos (também) capazes de construir e modificar nossas opiniões a respeito de nós mesmos. Aqui não se pode esquecer da crítica feita aos humanistas por outras áreas da psicologia de que estes centraram sua teoria estritamente no individual, deixando de lado a influência da comunidade sobre indivíduo. É claro que não podemos ignorar as oportunidades ou não oportunidades que o meio nós oferece, mas por outro, é de grande relevância o querer de cada um em qualquer circunstância.
Outra premissa primordial que nos é legado por tais pensadores é o da aceitação de nosso semelhante como um todo. Essa aceitação é decorrente do simples fato de ser este um ser como eu. Ou seja, antes de dirigir nosso olhar para nosso semelhante através de um rótulo, um juízo é preciso primeiramente olhar como um ser semelhante. É preciso considerar também que, por sua vez, este (o semelhante) está potencialmente sujeito ao erro, ao acerto, a alegria e a cólera etc... assim como eu. Logo, antes de olharmos (e, é claro julgarmos) alguém como p.ex. professor, aluno, pobre, rico, doutor ou operário é preciso lembrar que este assim como eu, também deseja, quer ser feliz e busca em seu modo um objetivo na vida. Podemos constatar isso na leitura de Rogers quando encontramos em sua afirmação de que o terapeuta deve ter por seu cliente “olhar positivo incondicional” de aceitação.
Os indivíduos têm capacidade de experienciar e de tomarem consciência de seus desajustamentos afirma Rogers. Cabendo ao “terapeuta” ter congruência (harmonia), autenticidade e honestidade com o cliente, criar com ele uma empatia e assegurar-lhe respeito, aceitação e consideração positiva incondicional.
Deve-se, portanto levar em conta a importância da terapia centrada no cliente, ou melhor, de sua prática. Tal prática aplicada em todas as formas de relacionamentos dá há todos os seres humanos a capacidade e oportunidade de expandir-se, tornar-se autônomo, desenvolver-se, amadurecer suas tendências a expressar e ativar todas as capacidades do organismo e do eu psíquico.
Portanto a mensagem que podemos tirar dos psicólogos humanistas (ou humanísticos) é a de doação e harmonia entre os semelhantes e de que cada um de nós possui o livre-arbítrio, a sensação de responsabilidade e propósito de busca permanente pelo sentido da vida e da tendência inata de crescermos rumo à auto-realização (GOODWIN, 2005, p. 456).
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Fonte:
GOODWIN, C. James. (2005) História da psicologia moderna. Trad. de Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, pp. 456-464.

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