26 setembro, 2006

Psicologia das cores IV - Ilusões visuais

O que provoca as ilusões visuais?
As ilusões visuais provam ainda mais que utilizamos uma série de pistas sensoriais para gerar experiências perceptivas que podem (ou não) corresponder ao que existe no mundo real. Ao compreender o modo como somos “levados” a ver algo que não existe, os psicólogos adquirem conhecimentos sobre como os processos perceptivos funcionam no dia-a-dia, sob circunstâncias normais.

Os psicólogos geralmente distinguem as ilusões físicas das perceptivas. Um exemplo de ilusão física é a aparência inclinada de um palito quando colocado na água – uma ilusão facilmente compreendida porque a água age como um prisma, inclinado as ondas de luz antes que alcancem nossos olhos. As ilusões perceptivas ocorrem porque o estímulo contém pistas enganosas, que geram percepções imprecisas ou impossíveis. As ilusões da Figura resultam de pistas falsas e enganosas de profundidade. Na Figura ao lado, por exemplo, os dois monstros projetam uma imagem do mesmo tamanho na retina de nossos olhos, mas a noção de profundidade indicada pelo túnel sugere que estamos olhando para uma cena tridimensional e que, portanto, o monstro da parte superior da imagem está muito mais distante. No mundo real, a experiência nos diz que os objetos aparecem em tamanho menor quando estão distantes. Portanto, nós “corrigimos” a distância e acabamos por perceber o monstro da parte superior como sendo maior, apesar de outras provas em contrário. Sabemos que, na verdade, a imagem é bidimensional, mas ainda assim reagimos como se ela fosse tridimensional.
Há também ilusões do “mundo real” que ilustram como os processos perceptivos funcionam, tal como a ilusão do movimento induzido. Quando você está se movendo para trás. Como você não tem nenhum ponto de referência para saber se está parado, fica confuso quanto a que trem está realmente se movendo. Entretanto, se olhar para o chão lá fora, poderá estabelecer um quadro de referência sem ambigüidade e tornar a situação clara.
Os artistas também apóiam-se em muitos desses fenômenos perceptivos tanto para representar a realidade com precisão quanto para distorcê-la deliberadamente. Todos nós sabemos que uma pintura ou uma fotografia é plana e bidimensional; ainda assim, somos fácil e prazerosamente “seduzidos” pelo uso que um artista faz dos princípios que acabamos de descrever. Por exemplo: na arte representativa, os trilhos, as plantas e os túneis das estradas de ferro são sempre desenhados mais próximos do que na verdade estão.

Filmes tridimensionais também funcionam segundo o principio de que o cérebro pode ser induzido a ver três dimensões, caso apareçam imagens ligeiramente distintas para o olho esquerdo e o olho direito (empregando-se o princípio da disparidade retiniana). Assim, nossa compreensão da ilusão perceptiva nos capacita a manipular imagens para efeitos deliberados – e para apreciar os resultados.
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Fonte:

MORRIS, Charles G. MAISTO, Albert. (2004) Introdução à psicologia. Trad. de Ludmilla Lima e Maria Sobreira D. Baptista. São Paulo: Prentice Hall, p. 114 a 116.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bem elaborado e de fácil entendimento, os exemplos foram simples com situações do nosso dia a dia. Ajudou muito!