30 junho, 2006

Teorias psicodinâmicas - Psicanálise III

Quais são as idéias que todas as teorias psicodinâmicas têm em comum?
As teorias psicodinâmicas vêem o comportamento como o produto de forças psicológicas que interagem dentro do indivíduo, freqüentemente fora de seu estado de consciência. Freud baseou-se na física de sua época para cunhar o termo psicodinâmica. Assim como a termodinâmica é o estudo do calor, da energia mecânica e da transformação de um em outro, a psicodinâmica é o estudo da energia psíquica e de sua transformação e manifestação no comportamento. Os teóricos dessa linha discordam entre si a respeito da natureza exata de tal energia psíquica. Alguns, como Freud, remontaram-na aos impulsos sexuais e agressivos; outros, como Karen Horney, consideram-na enraizada na luta do individuo em lidar com sua dependência. Todos eles, porem, compartilham a idéia de que os processos inconscientes determinam primariamente a personalidade e podem ser mais bem compreendidos dentro do contexto de desenvolvimento do ciclo vital.
Algumas partes da teoria psicodinâmica, especialmente a visão de Freud da sexualidade feminina estão ultrapassadas. Os cinco pontos a seguir, entretanto, são centrais a teorias psicodinâmicas e sobrevivem a todos os testes do tempo (Westen, 1998).

1. Muito da vida mental é inconsciente e, como resultado, as pessoas podem comportar-se de maneiras que elas próprias não entendem.
2. Os processos mentais, tais como emoções, motivações e pensamentos, agem paralelamente e podem, assim, ocasionar sentimentos conflitantes.
3. Não somente os padrões estáveis de personalidade começam a se formar na infância como as primeiras experiências também influenciam bastante o desenvolvimento desses padrões.
4. As representações mentais que fazemos de nos mesmos, de outros e de nossos relacionamentos tendem a orientar nossas interações com as outras pessoas.
5. O desenvolvimento da personalidade envolve aprender a regular sentimentos sexuais e agressivos assim como tornar-se socialmente interdependente em vez de dependente.

Como poderemos ver, esses cinco pontos estão implícitos no trabalho da maioria dos teóricos psicodinâmicos.
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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Pág. 344 a 348

Alunos responsáveis pela digitação: (Turma 511 Publicidade)
Rodrigo Oliczeski, Vanessa Guindani e William de Souza Ávila

Sigmund Freud e a Psicanálise II

Como se desenvolve a personalidade
A teoria de Freud do desenvolvimento da personalidade concentra-se na maneira como satisfazemos o instinto sexual no decorrer da vida. Freud considerava o instinto sexual de maneira ampla, como um forte desejo de obter todos os tipos de prazer sexual. Ele denominava a energia gerada pelo instinto sexual de libido. À medida que os bebês crescem, sua libido concentra-se em diferentes regiões sensíveis do corpo. Durante os primeiros 18 meses de vida, a fonte dominante de prazer sexual é a boca. Após os 18 meses, a sexualidade move-se para o ânus; e por volta dos três anos, move-se novamente, mas agora para os genitais. Para Freud, as experiências das crianças em cada uma dessas fases marcam sua personalidade com tendências que permanecem até sua fase adulta. Se uma criança é privada do prazer (ou lhe é permitido muita gratificação) da região do corpo que domina uma determinada fase, parte da sua energia sexual pode permanecer fixada àquela parte do corpo, em vez de seguir sua seqüência normal para permitir ao indivíduo uma personalidade inteiramente integrada. Isso chama-se fixação, a qual, como veremos, Freud acreditava levar a formas imaturas de sexualidade e a certos traços característicos de personalidade. Veremos mais atentamente as fases psicossexuais que Freud identificou e sua suposta relação com o desenvolvimento da personalidade.
Na fase oral (do nascimento até os 18 meses), os bebês, que dependem completamente de outras pessoas para satisfazer suas necessidades, aliviam sua tensão sexual ao sugar e engolir; quando nascem os primeiros dentes, eles sentem prazer oral ao mastigar e morder. De acordo com Freud, os bebês que recebem muita gratificação oral durante essa fase tornam-se adultos demasiadamente otimistas e dependentes. Aqueles que recebem muito pouca gratificação tornam-se pessimistas e hostis. A fixação nessa fase está relacionada a características de personalidade tais como falta de confiança, gula, sarcasmo e disposição para brigas.
Durante a fase anal (aproximadamente dos 18 meses aos três anos e meio), a fonte primária de prazer sexual passa para o ânus. Justamente quando as crianças aprendem a sentir prazer ao reter ou excretar fezes, começa o treino de toalete e elas devem aprender a regular esse novo prazer. Na visão de Freud, se os pais forem muito rígidos com o treino, algumas crianças começam a ter acessos de raiva e podem levar uma vida autodestrutiva quando adultos. Outras tornam-se obstinadas, avarentas e excessivamente organizadas. Se os pais são muito permissivos, seus filhos podem tornar-se desorganizados, desordenados e pouco asseados.
Quando as crianças entram na fase fálica (após os três anos), descobrem seus genitais e desenvolvem uma forte ligação com o genitor do sexo oposto, ao mesmo tempo em que sentem ciúme do genitor do mesmo sexo. Nos caso dos meninos, Freud chamou esse conflito de complexo de Édipo, em homenagem ao personagem da mitologia grega que matou seu pai e casou-se com a mãe. As meninas passam pelo equivalente complexo de Electra, que envolve o amor possessivo pelo pai e o ciúme da mãe. Um estudo recente encontrou sustentação na idéia de que, em crianças e jovens, demonstrações de afeto pelo genitor do sexo oposto e ciúme do genitor do mesmo sexo são mais comuns que a situação inversa ( Watson e Getz, 1990). A maioria das crianças finalmente resolve esses conflitos na identificação com o genitor do mesmo sexo. Entretanto, Freud sustentava que a fixação nessa fase leva à vaidade e ao egoísmo na idade adulta: os homens vangloriam-se de suas proezas sexuais e tratam as mulheres com desprezo, e as mulheres tornam-se levianas e promíscuas. A fixação fálica também pode gerar sentimentos de baixa auto-estima, timidez e desvalorização.
Freud acreditava que, no final da fase fálica, as crianças perdem o interesse pelo comportamento sexual e entram em um período de latência. Durante esse período, que começa por volta dos cinco ou seis anos e termina aos 12 ou 13, os meninos brincam com as meninas, as meninas brincam com os meninos, e nenhum dos sexos demonstra muito interesse pelo outro.
Na puberdade, o indivíduo entra em sua última fase psicossexual, a qual Freud chamou de fase genital. Nesse momento, os impulsos sexuais são novamente despertados. Ao fazer amor, o adolescente e o adulto são capazes de satisfazer desejos não realizados na infância. De maneira ideal, a gratificação imediata desses desejos leva à sexualidade madura, da qual fazem parte o adiamento da gratificação, o senso de responsabilidade e o cuidado por outras pessoas.
As feministas atacaram a visão fálica e machista de Freud do desenvolvimento da personalidade, especialmente pelo fato de ele ter formulado a hipótese de que todas as meninas se sentem inferiores por não possuir pênis. Muitas pessoas atualmente vêem a inveja do pênis como muito menos central ao desenvolvimento da personalidade do que Freud imaginava ( Gelman,1990). Na verdade, toda a idéia de que o desenvolvimento das personalidades masculina e feminina segue linhas similares está sendo contestada. Assim, se for o caso, as etapas de desenvolvimento singularmente femininas podem deixar as meninas com capacidades e habilidades importantes, subestimadas ou minimizadas na teoria freudiana.
As crenças de Freud, sobretudo sua ênfase na sexualidade, não foram totalmente endossadas nem pelos membros de sua própria escola psicanalítica. Carl Jung e Alfred Adler, dois dos primeiros colaboradores de Freud, acabaram rompendo com ele e formularam suas próprias teorias psicodinâmicas da personalidade. Jung expandiu o alcance do inconsciente muito além das satisfações egoístas do id. Adler acreditava que o ser humano tem objetivos positivos- e conscientes – que guiam seu comportamento. Outros teóricos psicodinâmicos enfatizam o ego e suas tentativas de dominar o mundo. Esses neofreudianos, principalmente Karen Horney e Erik Erikson, concentraram-se na influência da interação social sobre a personalidade.
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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Pág. 344-348

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29 junho, 2006

Sigmund Freud e a Psicanálise I

Quando Freud propôs que o instinto sexual é base do comportamento, como ele estava definindo “instinto sexual?”
Até hoje, Sigmund Freud (1856-1939) é o mais conhecido e o mais influente de todos os teóricos psicodinâmicos. (...), Freud criou uma perspectiva inteiramente nova do estudo do comportamento humano. Até então, a psicologia havia se concentrado no consciente, isto é, os pensamentos e sentimentos dos quais estamos cientes. Em um movimento radical, Freud ressaltou o inconsciente — todas as idéias, os pensamentos e os sentimentos dos quais normalmente não temos consciência. As idéias de Freud formam a base da psicanálise, um termo que se refere tanto a teoria da personalidade como a forma de terapia que ele criou.
De acordo com Freud, o comportamento humano baseia-se nos instintos ou impulsos inconscientes. Alguns instintos são agressivos e destrutivos; outros, tais como fome, a autopreservacao e o sexo, são necessários a sobrevivência do individuo e da espécie. Ele utilizava o termo instintos sexuais para se referir não somente a sexualidade erótica, mas tambem ao desejo de obter praticamente qualquer forma de prazer. Nesse sentido mais amplo, Freud considerava o instinto sexual o fator mais critico no desenvolvimento da personalidade.
Como a personalidade é estruturada
Freud afirmou que a personalidade forma-se ao redor de três estruturas: o id, o ego e o superego. O id, a única estrutura presente no nascimento, é completamente inconsciente. Na visão de Freud, o id consiste de desejos e impulsos, que buscam expressar-se permanentemente. Ele age de acordo com o principio do prazer, isto é, procura obter prazer imediato e evitar a dor. Assim que surge o instinto, o id tenta satisfaze-lo. Entretanto, como não esta em contato com o mundo real, ele tem apenas duas maneiras de obter gratificação. Uma é por meio de ações reflexas, tais como tossir, que alivia uma sensação desagradável de maneira imediata. A outra é por meio de fantasia, ou o que Freud chamou de realizações de desejo. Uma pessoa forma uma imagem mental de um objeto ou uma situação que gratifica parcialmente o instinto e alivia a sensação de tensão. Esse tipo de pensamento ocorre com maior freqüência em sonhos e devaneios, mas pode tomar outras formas. Se alguém o insulta, por exemplo, e você passa a meia hora seguinte imaginando como poderia ter respondido a esse insulto de uma maneira inteligente, você esta em m processo de realização de desejo.
Imagens mentais dessa natureza oferecem alívio passageiro, mas não podem satisfazer a maioria das necessidades. Apenas pensar em estar com alguém que você ama não é um substituto à altura do estar de fato com essa pessoa. Portanto o id, não é por si só muito eficaz em satisfazer os instintos. Ele deve conectar-se à realidade se quiser aliviar sua tensão. O elo do id com a realidade é o ego.
Freud concebeu o ego como o mecanismo psíquico que controla todas as atividades de pensamento e raciocínio. O ego age de maneira parcialmente consciente, pré-consciente e inconsciente. (Pré-consciente refere-se ao conteúdo que não se encontra no nível do consciente mas pode ser facilmente recuperado.) O ego aprende a respeito do mundo externo por meio dos sentidos e procura satisfazer os impulsos do id no mundo externo. Porém, em vez de agir de acordo com o princípio do prazer, ele age de acordo com o princípio da realidade: por meio do raciocínio inteligente, o ego tenta adiar a satisfação dos desejos do id até poder fazê-lo de maneira segura e bem-sucedida. Se você tiver sede, por exemplo, seu ego tentará determinar a melhor maneira de matar a sua sede com segurança e eficiência.
Uma personalidade que consistisse somente do id e do ego seria totalmente egoísta. Iria se comportar de maneira eficaz, mas insociável. Um comportamento inteiramente adulto é governado não somente pela realidade, mas também pela moralidade, isto é, pela consciência do indivíduo ou pelos padrões morais que o indivíduo desenvolve na interação com seus pais e a sociedade. Freud chamou este “cão de guarda” de superego.
O superego não está presente ao nascermos. Na verdade, as crianças pequenas são amorais e fazem qualquer coisa que lhes dá prazer. Conforme amadurecemos, porém, assimilamos, ou adotamos como nossas, as opiniões de nossos pais a respeito do que é “bom” e do que é “mau”. Com o tempo, a repressão externa aplicada por nossos pais dá lugar a nossa própria auto-repressão. O superego, finalmente agindo como a consciência, assume a tarefa de observar e guiar o ego, o superego age consciente, pré-consciente e inconsciente.
De acordo com Freud, o superego também compara as ações do ego a um ideal do ego, um modelo de perfeição, e então gratifica ou pune o ego com base nessa comparação. Infelizmente, o superego às vezes é muito impiedoso em seu julgamento. Um artista dominado por um superego muito punitivo, por exemplo, pode perceber a possibilidade de jamais igualar-se a um Rembrandt e, em desespero, desistir de pintar.
De maneira ideal, o id, o ego e o superego trabalham em harmonia, com o ego satisfazendo as necessidades o id de maneira razoável moral e aprovada pelo superego. Estamos então livres para amar, odiar e expressar nossas emoções de modo sensato e sem culpa. Quando nosso id é dominante, nossos instintos ficam fora de controle e temos mais probabilidades de colocar a nós e à sociedade em perigo. Quando o superego é dominante, nosso comportamento é controlado de modo muito rigoroso e nos inclinamos a julgar a nós mesmos de maneira severa ou precipitada, o que prejudica mossa capacidade de agir por nossa própria conta e nos divertir.

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Fonte:
MORRIS, Charles G. Introdução à Psicologia. Tradução de Ludmilla Lima e Maria S. Duarte Paptista. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
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