22 março, 2007

Prenda a atenção do seu público

Liderança.

Se você não gosta de receber sermões, os outros também não. Faça melhor, envolva seus ouvintes em um bom diálogo.
ROLY GRIMSHAW*


Recentemente, o parceiro de uma companhia de acionistas estava lamentando o irritante número de candidatos que fizeram discursos para um contrato de auditoria com a sua empresa. Durante a primeira apresentação, um dos auditores discursou em tom monótono, dando informações já sabidas ou, pior, irrelevantes. Na segunda exibição, a equipe mostrou slides e vídeos divertidos, mas tudo pareceu artificial e falso - qualidades que não eram desejadas para um cargo de auditor.


Encerrado o processo, o que havia com as apresentações dos auditores que, ao final, ele contratou? O diagnóstico foi que o discurso dessas pessoas parecia ter sido feito de forma honesta, por profissionais competentes e que só foram lá para conversar. O grupo não fez exatamente uma exibição, mas colocou as questões que envolviam os negócios da empresa em um tom de conversa informal. Além disso, os integrantes mostraram como poderiam oferecer ajuda para solucionar problemas. Ficou a impressão de que o grupo de auditores já trabalhava para ele. E foi esse o resultado, de fato.

Ao analisar o trabalho do grupo Kingstree, o time vencedor, descobre-se que diálogo é a chave para envolver ouvintes, dar credibilidade e também inspirar confiança durante uma palestra, independentemente se a apresentação é para um pequeno ou grande grupo. Esse tipo de abordagem constrói um estilo único para o apresentador, tão personalizado como uma impressão digital. Além disso, remete a certas características de conversação que são comuns para todas as pessoas, proporcionando uma estrutura que pode ainda aumentar o impacto do discurso.

Abordagem com risco

Infelizmente, os antigos conselhos que são dados durante a preparação de discursantes ou oradores falham quase sempre em uma área crítica. O orador freqüentemente usa um modelo de abordagem em que tenta imitar renomados comunicadores.

Pensam assim: Ronald Reagan e Winston Churchill eram grandes oradores, então para eu ser um grande comunicador, tenho de ser como eles. O que só os levam à artificialidade.

Uma outra técnica que geralmente se utiliza é a identificação das características de um bom apresentador, ou seja, o ensinamento do que ele deve ou não fazer. Para isso, inicialmente, a pessoa é filmada durante a sua performance. Depois, é orientada em alguns quesitos como postura, relaxamento, entonação de voz e contato visual com o público.

Quando a pessoa é filmada novamente, os resultados são melhores: o desempenho fica mais disciplinado, e o orador fala com mais animação e variedade.

Porém, esse tipo de abordagem também pode conduzir à falta de naturalidade. Imagine esse cenário. O orador chega na sala de conferência, encontra os organizadores - alguns que ele já conhece e outros que são apresentados pela primeira vez. A poucos minutos de sua palestra, cria uma primeira impressão nos participantes. O apresentador troca diálogos, coloca algumas idéias, relata questões e relaciona anedotas no seu próprio estilo. Seus gestos não são planejados, seu sorriso não é forçado e sua entonação também não é imposta.

Porém, quando o apresentador vai para o palanque ou fica à frente do público, age de uma forma completamente distinta, criando assim uma falsa e plástica imagem. Essa atitude acaba o desfavorecendo e abalando a sua credibilidade, justamente para aquelas pessoas que ele já havia conquistado anteriormente.

* Roly Grimshaw é diretor do The Kingstree Group, uma Consultoria de Comunicação estabelecida em Londres

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In: Zero Hora, em 22/03/2007

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