30 setembro, 2007

O conceito de meio ambiente

Por Melissa Bergmann
A questão ambiental se remete a uma questão de interesse humano e social, onde o ser humano é direta ou indiretamente afetado pelas alterações do meio ambiente. Esta é, portanto, uma questão que não se refere apenas à vida de seres animais, vegetais e microrganismos em seu ambiente natural (BRANCO, 2001). Fazendo uma abordagem sobre o conceito de meio ambiente, Branco (2001) discute os significados das palavras “meio” e “ambiente”. A palavra “meio” teria uma conotação mais de substância do que de entorno. Cunhada por Claude Bernard, a expressão “meio interno” foi utilizada para significar a substância em que estão banhadas as células em um organismo. Desta forma, o termo “meio” tradicionalmente tem uma conotação bioquímica e físico-química. A expressão “meio ambiente”, portanto, é mais restritiva do que “ambiente”, referindo-se ao “meio” "circundante”. O autor relata a ausência do termo “ambiente” ou correlato nos precursores da ciência ecológica. Lamarck, em sua teoria transformista, baseada na ação do meio sobre os indivíduos, utilizou o termo “circunstâncias” em referência aos fatores circundantes (ambientais) que influiriam na vida e na evolução dos seres vivos. Haeckel, o fundador da ciência ecológica, definiu a ecologia como a “ciência das relações do organismo com o ambiente”. Darwin, por sua vez, enfatiza as “condições de existência” como princípio da seleção natural. Os naturalistas contemporâneos de Humboldt (séc. XIX) consideravam o ambiente como “coincidente” com a distribuição das espécies, porém inativo sobre ela. O ambiente começa a passar de inativo a algo ativo, atuante sobre a distribuição e evolução das espécies, a partir da Revolução Francesa, onde se aboliu a idéia do determinismo social e político, influindo também nas idéias sobre o determinismo biológico e à inação do meio ambiente.
A partir da noção de Bernard sobre a homeostase, surgiu o entendimento da integração dos seres vivos com o ambiente que os cerca como um sistema, movimentado por fluxos de energia. Nesta perspectiva, os organismos não podem mais ser dissociados das “circunstâncias” que os cercam. Os organismos são parte integrante do ambiente, e o ambiente é constituído pelo próprio sistema. O ambiente “circundante”, portanto, deixa de existir. Porém, ao se inserir o homem social no (eco) sistema, Branco (2001) observa que o “ambiente exterior” volta a existir, pois ele não possui um nicho ecológico definido e seu habitat integra elementos que não pertencem à natureza. O meio ambiente torna-se objeto de ação antrópica, onde as ações de manutenção do equilíbrio homeostático passam a ser voluntárias e objeto da ética ambiental. O homem tem dependência mediata em relação ao meio ambiente, assim como a dependência das células de Bernard em relação ao meio interior.
Essa dualidade homem-natureza parece estar presente na perspectiva ecológica clássica, onde o ambiente é constituído pelos “arredores de um organismo, incluindo as plantas, os animais e os micróbios com os quais interagem” (RICKLEFS, 2001), não havendo relação ao ambiente modificado pelo ser humano. Entretanto, os ambientes que as atividades humanas dominam ou produzem, como os espaços urbanos e as áreas cultivadas, vêm sendo englobados como sistemas ecológicos (RICKLEFS op cit.).
Para Reigota (1994), meio ambiente é a noção de um lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais encontram-se em relações dinâmicas e em interação. Estas relações implicam processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais de transformação do meio natural e construído.
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in: Bergmann, M. Análise da percepção ambiental da população ribeirinha do rio Santo Cristo e de estudantes e professores de duas escolas públicas, município de Giruá, RS. Dissertação (Mestrado em Ecologia), Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

2 comentários:

William Ávila disse...

Achei este artigo bem mportante. Seguidamente estamos discutindo "o como fazer sem acabar com tudo". Hj para um bom profissional de publicidade (e aqui mais para aqueles que criam) é de extrema importância o equilibrio entre o que pode ser consumido e o que é consumido sem ser preciso. Hj consumidores mais do que preços, peças bonitas estão preocupados com o amanhã e este é mais um desafio de quem através da criação quer conquistar consumidores e fidelizar o consumidor que já possui. Parabéns!

Anônimo disse...

Adorei,mt bem feito.

discutindo assuntos sobre o meio ambiente o mais interessante.

estão de parabéns!