01 novembro, 2007

MÊMNON OU A SABEDORIA HUMANA

Voltaire
Um dia Mêmnon concebeu o insensato projeto de ser perfeitamente sábio. Não existe ninguém a quem alguma vez não tenha passado pela cabeça esta loucura. Mêmnon disse consigo mesmo:
- Para ser muito sábio, e por conseguinte muito feliz, basta não ter paixões; e nada mais fácil, como se sabe. Antes de tudo, não amarei jamais mulher alguma, pois, vendo uma beleza perfeita, direi com os meus botões: - Essas faces um dia se cobrirão de rugas; esses belos olhos ficaram avermelhados em redor; esse colo redondo se tornará chato e pendente; essa bela cabeça ficará calva. - Ora, basta-me vê-la agora com os mesmos olhos com que a verei então, e seguramente esta cabeça não fará a minha andar à roda. Em segundo lugar, serei sóbrio. Não terá efeito sobre mim a tentação da boa mesa, dos vinhos deliciosos, a sedução da sociedade; bastará que eu me representa a conseqüência dos excessos - cabeça pesada, estômago embrulhado, a perda da razão, da saúde e do tempo - e então ... (c o n t i n u a)

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