04 novembro, 2007

Ética é uma das disciplinas da Filosofia



Por Pedro Galvão

Disciplina tradicional da filosofia, também conhecida por filosofia moral, que enfrenta o problema de saber como devemos viver.

A área da ética que lida com este problema da forma mais directa é a ética normativa. A ética normativa ocupa-se em grande medida de dois problemas mais específicos: 1) O que é agir de uma forma moralmente acertada? 2) O que torna boa ou valiosa a vida de uma pessoa? Ao tentar responder a esta perguntas, os filósofos propõem, respectivamente, teorias da obrigação e teorias do VALOR. As primeiras só floresceram a partir do séc. XVIII e exprimem-se em princípios, como o IMPERATIVO CATEGÓRICO de KANT, que nos proporcionam um padrão para determinar aquilo que é moralmente obrigatório ou permissível fazer. Há dois tipos fundamentais de teoria da obrigação. Quem, como MILL, HARE ou SINGER, defende uma ÉTICA CONSEQUENCIALISTA, pensa que para determinar o que devemos ou podemos fazer precisamos apenas de avaliar as consequências dos nossos actos: a melhor opção ética é sempre aquela que dará origem aos melhores resultados. Quem, como Kant, defende uma ÉTICA DEONTOLÓGICA, julga que a nossa prioridade enquanto agentes morais é evitar realizar certos tipos de actos — ou, como dizem alguns deontologistas, respeitar certos DIREITOS.

O interesse pelas teorias do valor remonta à Antiguidade. Filósofos como ARISTÓTELES, bem como os representantes do EPICURISMO, do ESTOICISMO e de outras escolas, esforçaram-se por compreender o que é ter uma vida boa. Grande parte do debate sobre esta questão constitui-se a partir de duas perspectivas contrárias: enquanto alguns autores defendem que temos uma vida boa na medida em que conseguimos satisfazer os nossos desejos, outros pensam que aquilo que torna a nossa vida boa é a presença de certos bens que têm valor independentemente de serem desejados, como o conhecimento, a amizade e a apreciação da beleza. Entre os filósofos que subscrevem esta segunda perspectiva, encontramos os defensores do HEDONISMO, que pensam que na verdade há um único bem fundamental: o prazer.

O desenvolvimento da ética normativa conduziu, há algumas décadas, ao aparecimento de outra área da filosofia moral — a ÉTICA APLICADA. Nesta área discute-se o que é obrigatório ou permissível fazer pensando em certos problemas morais concretos que dividem as pessoas. Discute-se, por exemplo, em que circunstâncias é permissível uma mulher fazer um aborto, se a pena de morte é errada, se as pessoas devem ter o direito de usar armas, até que ponto é aceitável o uso de animais em experiências científicas e que tipo de conduta é apropriado durante uma guerra. Um segmento importante da ética aplicada, no qual se incluem algumas destas questões, é a BIOÉTICA.

A METAÉTICA é a terceira área principal da filosofia moral, distinguindo-se das outras duas não só por ser mais abstracta (ver ABSTRACTO/CONCRETO), mas também por não possuir um carácter normativo (ver NORMATIVO/DESCRITIVO). Nesta área, o objectivo não é saber o que devemos fazer ou valorizar, isto é, não é defender determinados juízos morais — na metaética discute-se antes o que querem dizer os nossos juízos morais e como podemos avaliá-los. Ver CONTRATUALISMO, ÉTICA DAS VIRTUDES.

Leituras
Singer, Peter, Ética Prática (Lisboa: Gradiva, 2000).

Retirado de Dicionário Escolar de Filosofia, org. por Aires Almeida (Lisboa: Plátano, 2003)
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in.: http://www.criticanarede.com

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