20 fevereiro, 2008

Schopenhauer, mulheres e vontade de viver


Por Jarbas Felicio

Tenho andado ocupado, lendo Schopenhauer e, ao contrário do que se possa imaginar, tais leituras tem sido boas, fizeram-me pensar sobre n questões. Por exemplo, cheguei a conclusão sobre o motivo dele não gostar das mulheres, na verdade penso que o que mais deveria irritá-lo era a forma como as mulheres se portavam, ou de como se deixavam manipular e dominar. Tal realidade fez com que ele pensa-se nas mulheres como bestas. Não que ele não gostasse de mulheres, pelo que me consta na literatura, deveria gostar. O fato é que ele condenava a forma de ser das mulheres, como afirmei acima, penso que ele não suportava ver a exploração dessas. Ele não deveria admitir que seres dotados de igual inteligência, assim como o gênero oposto, deixavam-se simplesmente tornar-se meros objetos de reprodução e de fins voltados para a questão simplista de sexualidade. Se Schopenhauer vive-se nos dias atuais, creio que seria um feminista, um defensor das mulheres.

Dia desses, olhando o carnaval e vendo uma mulher gabar-se de estar desfilando com o menor tapa-sexo, (esta foi tratada como a “mulher do boi” por seu assistente ao colocar o dito tapa-sexo), percebi que algumas coisas não foram alteradas com relação à época de Schopenhauer. As mulheres de hoje, em grande número, continuam portando-se como no passado, pegando para si, o papel de meros objetos da exploração simplória sobre a sexualidade. Devo admitir que achei interessante a indumentária da mulher participante do carnaval, o que não gostei foi da forma como esta deixou ser tratada na totalidade. Há outros argumentos sobre essa questão dos quais defendo e que me fazem não me contradizer sobre a exploração sexual. Como não sou feminista, não vou aprofundar-me nesta questão. Vou deixar essa parte para as mulheres ou feministas.

Não sei por que escrevi sobre mulheres, na verdade o que mais tem me chamado a atenção nas leituras em Schopenhauer é sua descrição sobre a existência humana. E agora de forma mais aprofundada, estou compreendo o porquê das suas afirmações, tipo: viver é sofrer. Quando lia esse tópico, em qual ele argumenta sobre o viver e querer viver, lembrei-me de realidades existenciais das quais me deparo em meu eu e no de outras pessoas.

Somos na verdade criaturas que nunca estamos completamente satisfeitas, sempre estamos querendo. Há uma aspiração contínua em querer. Eis aí a origem de todo o sofrer humano. A tese schopenhaueriana do querer difere de tantas outras por relacionar a constante insatisfação humana a uma fonte de origem inorgânica, de uma “essência íntima da vida universal” que se transforma também orgânica. A origem do querer humano não se encontra na questão externa, cultural e, sim, na constituição do próprio ser. Ela se faz orgânica e por sua força de vontade se manifesta á luz de nossa consciência. Toda vez que tal força de vontade se depara com algum obstáculo gera, portanto o bloqueio da satisfação, e dessa forma o sofrimento. A questão do viver e querer viver é infindável com relação ao sofrimento, pois, se estivermos tristes e insatisfeitos com algo, na media que essa tristeza é superada, outra e de igual característica surge, fazendo desta forma com que o sofrimento nunca (ou por curtos momentos) deixe de se fazer presente em nossa existência. Tal problemática do sofrer constante já vem codificada em nosso ser orgânico e se faz sentir (entender) no homem em sua representatividade conceitual que desenvolvemos sobre as coisas. E é justamente por possuirmos o entendimento das coisas é que somos os entes que mais sofrem com tal realidade.

A saída para tal sofrimento, que nunca cessa em nosso ser, está na recusa do querer, afirma Schopenhauer. É a recusa da vontade (natureza, ou então, manifestação desta em nós para se manter sempre viva, sempre renovada). Essa negação da vontade, (em nós a vontade se manifesta sob a forma p.ex., de desejo, sexo, reprodução), é na verdade trágica, funciona tipo uma anestesia que precisamos dar em nossas vidas com relação ao nosso querer, resumindo essa questão em uma palavra, ataraxia (outra hora explico melhor).

Penso que enquanto não fizermos a tal da ataraxia, a sugestão para encontrarmos um pouco de trégua do sofrer é, segundo o próprio Schopenhauer, aproveitar de forma lenta estes raros momentos de satisfação. São exatamente esses os responsáveis por materializar em nosso espírito o que compreendemos por felicidade.

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Ainda estou trabalhando no texto.

13 comentários:

Melissa disse...
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Núccia Gaigher disse...

achei muito proveitosa a leitura do seu artigo,gostaria de saber se há algum inconveniente em indicá-lo em minha pagina na net.
www.psicologandonanet.blogspot.com

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Olá, creio que não!!! O texto é simples. Se vc gostou e quer, tudo bem!!! Eu fico feliz!!!! Vamos manter contato. Abraços, Jarbas.

Anônimo disse...

Acredito que a maior razão da nossa constante insatisfação é querer sempre mais, sempre melhor. isso que nos move, que nos pensar em soluções e caminhos.

Nathalia disse...

Professor, o senhor não vai mais postar no blog???

viviane disse...

Gostei da postagem, concordo com a questão de que se schopenhauer vive-se nos dias de hoje ele não teria a mesma visão que tinha há duzentos anos, confesso que não estava conseguindo expressar tal pensamento. não sou feminista,mesmo por que não devemos nos apegar a visões restringentes,pois estamos em constante evolução,mas enquanto existir ´´amelias no mundo,`` nós mulheres vamos continuar a sermos relacionadas com seres interesseiros e limitados.amo schopenhauer ,apesar de estar o conhecendo agora

Anônimo disse...

Concordo em partes, não vamos generalizar, a questão não é a mulher, pois tanto o homem quanto a mulher são fúteis. O homem de hoje em dia é como um cachorro raivoso (violento em seus pensamentos, violento em sua forma de agir, não busca a verdade, mas busca ter a razão) e só amolece na hora da relação sexual, que é o que fareja durante toda sua vida, nenhum peito ou bunda passa despercebido ao seu olhar, mesmo que inconcientemente. A mulher está no mesmo lugar, porém esta deve escolher com mais calma seu parceiro, pois o homem pode engravidar 100 mulheres ou mais em apenas um dia e a mulher só pode engravidar uma vez a cada período, e ainda sim, após o nascimento tem que proteger sua criação, então deve escolher um bom macho.

A crise é na consciência e não no homem ou na mulher, recomendo leitra de Krishnamurti.

Além disso, os pensamentos deste filósofo são meio que em OFF. Sua obra máxima é sobre metafísica e preenche a maior parte de sua obra: O mundo como vontade e como representação.

Não podemos deixar de lembrar que seus pensamentos servem como continua da tese e anti-tese iniciada desde a época dos antigos filósofos, até mesmo, quando o nome filosofia não existia e era tido como misticismo.

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Vou argumentar desta forma (para o anônimo):
a) Penso que mulher e homem podem ser como não ser, fúteis! Em parte é uma questão de escolha. Mas em parte! Não somos 100% livres como afirmou Sartre. Há a questão fisiológica, psíquica e também social na constituição humana;
b) Por mais que somos matéria e conceito, penso que a matéria só se manifesta pelo conceito, logo, ser mulher ou ser homem é uma questão de sentido que damos a tais conceitos. Ninguém nasce mulher ou homem, mas nos estabelecemos. Toda a crise é de consciência, digo, de sentido;
c) Em momento algum generalizo sobre as mulheres. Há pessoas e pessoas;
d) Schopenhauer é ON! Nessa pós-modernidade... tudo é metafísico. Alias, o ser humano é uma figura em demasia metafísica. Como falei antes, tudo é uma questão de sentido!
e) Fico muito feliz que tenha lido e comentado meu texto. Ele tem erros e não está pronto. Mesmo assim publiquei. Do contrário... penso que talvez ninguém tivesse lido ele.

Anônimo disse...

Tenho que adimitir que também escrevi um pouco rápido, e o que escrevi foi o que pensei instantaneamente durante a leitura...

Gostei também de sua resposta, me deu uma visão um pouco maior sobre a sua forma de expor. E acredito que tenha haver com o que pensei ao ler, pois veja bem:

No texto, sua primeira conclusão é a respeito do fato de Schopenhauer não gostar das mulheres. Como eu recentemente fiz uma imersão em algumas partes da obra "O mundo como vontade e como representação", estava em um contexto diferente e logo fiz uma ligação com a parte em que ele cita o relacionamento sexual como uma vontade primitiva, não que seja arcaica, mas uma vontade que vem de uma natureza que não pode ser racionalizada vem do logos (questão fisiológica) e essa vontade visa basicamente, segundo o que entendi, a perpetuação da espécie, ou seja, a geração futura. Sendo assim, logo imaginei que o fato de ele não gostar das mulheres é que a maioria vive apenas no estágio onde a vontade de vida ocupa todo o seu ser, ou seja, ela vive em função da beleza e vaidade, não por motivos inventados, mas inconscientemente, pela vontade da espécie que cria toda aquela representação para que possa se realizar através do individuo.

Já a respeito dos homens, ele da um crédito por eles estarem além dessa vontade primitiva, que ocorre quando o intelecto (a razão), ganha espaço e começa a entender e controlar a vontade de vida, inclusive, para mim aí está a distância entre homens e macacos, os homens, diferente dos macacos tem a oportunidade de negar a vontade de vida, ou seja, afastá-la para então analisá-la. Os animais não, estão livres disso, são a personificação do presente, vivem em completa harmonia com a natureza, não refletem, seu único desejo, o desejo da espécie, daí a sua pureza.

Só que logo após esse pensamento, não pude deixar de lembrar que os homens em sua maioria vivem apenas em função da vontade de vida e por si só são primitivos e violentos, são selvagens ainda, da mesma forma que a maioria das mulheres. E toda essa representação criada na mente dos primitivos ao invés de agir como equilíbrio, existe em função de manter aquela mente satisfazendo o desejo da espécie. Por isso expus: Homens e mulheres são iguais. Mas logo li que sua opinião não deixa de ser análoga.

Pela minha percepção de hoje, o que posso dizer, é que a vida é sofrimento, pois ela nos força, como um rio é forçado a seguir seu curso, a lidar com essa nova faculdade, a faculdade do conhecer, conhecer a si mesmo. Sendo assim, o sofrimento está em deixar de ser, na morte daquele que hoje é, para então proporcionar o nascimento de um novo eu. Um novo tipo de observador, que se posiciona em ângulos bem diferentes dos atuais.

Em fim, acho que já escrevi muito para um comentário, rs.

Até

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Caro amigo anônimo, vc vai continuar no anonimato? Vejo que está tornando-se um assíduo leitor de Schopenhauer! Abraço.

Jurema Mendes de Souza disse...

É, uma trégua a nós mesmos, para poder seguir.

Gostei do que escreve.

eduardo disse...

Jarbas, parabéns. Seus comentários são leves e sensatos. Pelas informações superficiais que tenho, acho que da Whickpedia, Schoppenhauer teria tido alguns incidentes sérios com mulheres, a começar pela própria mãe, que, depois de viúva, resolveu tornar-se intelectual, escreveu alguns romances e abriu um "salão de reuniões", seja lá isto o que for. Essa vida "mundana" da mãe teria causado profunda revolta e mágoa no filho, tendo, ambos, trocado por escrito, agudas farpas.
Ele teria, também, sifo constrangido a morar em uma pensão, na qual a maioria das pensionistas eram mulheres simples, maduras (solteironas, talvez) o que lhe teria rendido muitos problemas, inclusive um processo, que resultou em pesada indenização + uma pensão, imagino a raiva dele.
Por outro lado, é atribuída a ele a afirmação de que "as mulheres eram seres inferiores que tinham cabelos longos e idéias curtas".
Você poderia confirmar, tanto esses problemas com a mãe e as vizinhas,quanto a autoria dessa afirmação ?

Dante disse...

Mais em varias partes daquele livro em que ele faz um ensaio sobre as mulheres, ele deixa bem claro que na verdade, a mulher tem "direitos" que não deveria, então essa idéia de que ele pensaria diferente hoje é um equivoco, sendo que a 150 anos ele já pensava assim...