10 julho, 2017

Faça qualquer um gostar de você com esses 11 truques de psicologia

Ana Luisa com 5 anos, em 2007. Porto Alegre/RS.

A jornalista científica Maggie Zhang reuniu uma série de estudos que vão ajudá-lo a passar por simpático em quase qualquer situação.

Estar entre pessoas que gostam de você não é só uma sensação ótima: também te torna mais persuasivo e até bem-sucedido. Claro, ser popular pode ser um desafio, especialmente em ambientes novos – mas fique sabendo que a psicologia já tem um monte de “hacks” para te ajudar na missão de se tornar “mais gostável”.
A jornalista científica Maggie Zhang reuniu uma série de estudos que te fazem passar por simpático em quase qualquer situação, e a gente resume para você:
1. Esteja por perto
O primeiro truque não exige nada mais que a sua presença. Existe um fenômeno chamado “efeito de mera exposição”, que explica porque coisas familiares te dão aquele quentinho no coração. Quanto mais você se acostuma com a presença de alguma coisa, mais tende a gostar dela.
Um estudo da Universidade de Pittsburgh colocou quatro atrizes para frequentar aleatoriamente algumas aulas de psicologia. Depois, perguntaram a universitários homens com qual delas eles tinham mais afinidade.
Detalhe: eles nunca haviam falado com nenhuma das quatro. Na maior parte do tempo, os participantes preferiam aquela que tinha ido a mais aulas.
A reação é completamente passiva: o fato de algo ou alguém fazer parte da sua rotina cria interações (mesmo não verbais) constantes, que criam uma certa intimidade e aumentam as chances de nascer uma amizade.
Seja chato, seja legal, mas esteja lá – já é meio caminho andado para que gostem de você.
2. Elogie para ser elogiado… mas não demais
Falar bem de alguém funciona como um bumerangue: quem escuta um elogio passa a associar os adjetivos usados a pessoa que falou. A transferência acontece mesmo quando o galanteio não é dos mais sinceros.
Ou seja, quando você diz que alguém é inteligente, alegre e animado, a pessoa do outro lado vai pensar associar você à inteligência, alegria e animação. O contrário também é verdade: se você sair falando mal dos outros, a impressão ruim recai sobre você.
O problema é que ninguém dá muito crédito para elogios que são feitos toda hora. Um estudo colocou 80 universitárias para conversar em duplas. Depois, elas eram separadas e uma podia “espiar” enquanto a outra conversava com os pesquisadores.
Algumas meninas só fizeram comentários bons sobre a parceira, outras só ruins e outro grupo misturava os dois tipos de avaliação. No final das contas, as participantes ficavam mais satisfeitas quando a dupla começava falando mal delas e terminava elogiando – nesse caso, elas sentiam que conseguiram “conquistar” a outra durante o papo e, daí, valorizavam mais a parte boa.
3. Descubra conexões em comum
Seja no Facebook, seja no Tinder, a quantidade de amigos em comum sempre chama a atenção. E não é para menos: quando duas pessoas tem um amigo em comum, a relação entre elas fica mais próxima.
A teoria por trás desse fator é chamada de “proximidade de tríade”. Estudantes da Universidade de British Columbia, no Canadá, mostraram que a chance de aceitar uma pessoa nas redes sociais era de 80% quando elas tem mais de 11 amigos em comum.
Já quando não existe essa conexão prévia, você só deixa a pessoa fazer parte da sua rede de contatos em 20% dos casos.
4. Seja legal… e só depois mostre o quanto você é bom
A psicóloga de Harvard Amy Cuddy baseou seu livro em só dois fatores que ajudam a determinar se alguém vai gostar ou não de você. De acordo com ela, uma primeira impressão depende do quanto você parece confiável e o quanto você impõe respeito.
Você passa confiança quando se mostra uma pessoa calorosa desde o começo. Já o respeito tem a ver com demonstrar competência e status intelectual e econômico.
Só que a ordem dessas impressões é essencial – deixe para parecer competente apenas quando já estiver demonstrado bastante afeto.
A explicação para isso, segundo Cuddy, é evolutiva: para a nossa sobrevivência, era crucial saber se o outro era digno de confiança antes de descobrir, por exemplo, se ele era forte (afinal, essa força toda podia sobrar para você).
5. Faça besteira
Falando em competência, nada faz as pessoas gostarem tanto de alguém bem sucedido quanto vê-lo cometer um erro. Um estudo gravou uma sala de voluntários fazendo um teste oral e depois reproduziu o áudio para universitários e perguntou de qual dos participantes eles gostavam mais.
Os favoritos foram os que mandaram bem na prova, mas derrubaram café no final – as pessoas gostavam mais deles do que dos inteligentes que não se atrapalharam.
Só que o efeito só funciona para quem passa a impressão de ser competente. Aqueles que iam mal no teste e também derrubaram o café não passaram uma impressão positiva. Se mostrar vulnerável ajuda os outros a se identificarem com você, mas ninguém quer se espalhar em alguém que faz tudo errado sempre.
6. Toque as pessoas (de um jeito respeitoso, é claro)
Sabe aquele tapinha nas costas quando você vai dar parabéns para alguém? Ou aquele toque rápido no braço quando você entende a piada da pessoa?
Então: se esses contatos físicos forem rápidos e respeitosos o suficiente, você pode ganhar pontos com seu interlocutor. Em um estudo da Universidade do Mississipi, algumas garçonetes foram instruídas a tocar rapidamente o ombro ou as costas dos clientes quando retornavam os trocos deles – e as que fizeram isso conseguiram gorjetas maiores do que as que não tocavam os clientes.
Agora, claro, tudo é jeito: tocar uma pessoa que claramente prefere manter distância é fracasso na certa.
7. Sorria!
Quem sorri mais é mais “gostável”. Isso de acordo com um estudo da Universidade de Wyoming, nos EUA, no qual 100 participantes mulheres olharam fotos de várias outras moças em quatro poses diferentes – sorrindo com uma postura corporal ‘aberta’ (coluna ereta e braços descruzados), sorrindo em postura ‘fechada’ (braços cruzados), rosto sério com postura aberta e não sorrindo em postura fechada.
De todas as fotos, as mulheres que sorriam, independente da postura corporal, foram consideradas as mais amigáveis. Outro estudo, da Universidade de Florença, na Itália, sugere que sorrir quando você conhece alguém faz com que elas lembrem de você mais tarde.
Por fim, uma terceira pesquisa chegou a conclusão de que você inconscientemente sente as emoções de quem está por perto. Assim, estar de bom humor vai deixar todo mundo ao seu redor mais feliz.
8. Compartilhe um segredo
A lógica é simples: se você contar para a pessoa algum segredo sobre você, ela se sente especial – e cria uma simpatia por você. A conclusão é de uma pesquisa da Stony Brook University, que funcionou assim: algumas pessoas formaram pares e conversaram por 45 minutos.
Mas não era qualquer conversa – cada dupla seguia um roteiro de perguntas, e havia dois tipos de roteiro: um extremamente pessoal (com perguntas como “como é sua relação com a sua mãe?”), e o outro, com conversa de elevador (“tá frio, né?”).
No fim do processo, as duplas que perguntaram coisas pessoais disseram já ser amigas, entquanto as outras disseram que não dava para afirmar isso.
9. Espere coisas boas das pessoas
Se liga na magia: se você considera uma pessoa uma chata, provavelmente vai agir de um jeito mais defensivo com ela – o que, por sua vez, vai fazer com que essa pessoa te ache um idiota.
Aí, ela também vai querer se proteger e, no fim, a forma como ela agir vai acabar confirmando a sua opinião ruim a respeito dela. Isso é conhecido como o efeito Pigmaleão (ou efeito Rosenthal), e também funciona do outro lado: se você já esperar um tratamento amigável de alguém, provavelmente vai se abrir mais, e aí essa pessoa vai sentir essa abertura e realmente ser mais amigável. Pelo menos, é isso que diz um artigo publicado na Harvard Magazine. Mas faz sentido, né?
10. Tenha senso de humor
Uma pesquisa das universidades da Califórnia e de Illinois mostra que um bom senso de humor é a característica que as pessoas mais procuram com os amigos, e está acima de qualquer outro traço positivo – incluindo empatia, beleza e gostos parecidos.
Por outro lado, não ter um senso de humor (especialmente no seu trabalho) pode ser desastroso: em um estudo da Universidade de Washington, que analisou as relações entre 140 colegas de trabalho entre 26 e 35 anos, fica claro que as pessoas com menos senso de humor eram as menos populares – mesmo que elas fossem sabidamente bons trabalhadores, éticos ou pessoas educadas.
11. Deixe a pessoa falar de si (e ouça)
Falar de si, de acordo com um estudo de Harvard, é tão recompensador quanto ganhar dinheiro, fazer sexo ou comer. Mas segundo Stuart Diamond, professor da Universidade da Pensilvânia, abrir um espacinho nessa falação para ouvir o outro – nem que seja só um pouquinho – pode dar um up na relação, mesmo que não seja a relação mais profunda do mundo.
Uma vez, ele precisou de um favor de uma atendente do guichê de uma companhia aérea – só que a mulher estava cansada e de mal humor, e não parecia afim de ajudar.
Aí, Diamond chegou perto e perguntou se estava tudo bem: “Ela sabia que eu queria um favor. Mas só eu parei 10 segundos para perguntar como ela se sentia”, disse ele – e no fim, o pesquisador conseguiu o favor.
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  Publicado por Ana Carolina Leonardi e Helô D'Angelo, Revista Superinteressante, acessado em 13 de dezembro de 2016. 



03 julho, 2017

Bauman e a contemporaneidade


    Bauman é feliz em sua análise referente a contemporaneidade.

    Sobre a globalização ele afirma que esta acaba por encher o local com muitas coisas desnecessárias ou ruins. Nem sempre o local está preparado para receber, em ritmo muito acelerado, tantas coisas de fora..., informações, tendências, mudanças, etc... Com tantas coisas chegando constantemente ao local, há toda uma alteração em sua organização, as quais resultam mais em efeitos negativos do que positivos. O local não ...suporta o global.
    Assim como o global e o local, também as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram...) nos causam certa desacomodação a qual tem efeito mais negativo q positivo. Diariamente acabamos por receber muitas informações de todos os lados, de todas as partes..., muitas desnecessárias, muitas falsas ou tendenciosas. Somos obrigados repaginar constantemente nosso pensamento. Perde-se com isso determinada identidade, determinada contemplação... o efeito das redes sociais acaba por ser mais deformador que formador em nós.

06 junho, 2017

Como devo me comportar numa entrevista de emprego?

Quando professor de uma escola técnica, na cidade de Porto Alegre/RS, trabalhei com a cadeira chamada Psicologia da Comunicação e Ética. Nessa atividade, uma das perguntas que os alunos e alunas sempre faziam era: professor como devo me comportar numa entrevista de emprego? Essa indagação era sempre desafiadora. Primeiro porque também não tinha experiência em psicologia e em recursos humanos, segundo, porque percebia haver uma confiança muito grande daqueles jovens estudantes na figura do professor de psicologia.
O objetivo curricular da cadeira de Psicologia da Comunicação e Ética era desenvolver conhecimento conceitual básico sobre as principais abordagens clássicas da psicologia, ou melhor, era provocar no aluno ou aluna a compreensão das principais correntes de pensamento que compõem a psicologia, por exemplo, a Psicanálise, a Teoria da Gestalt, o Behaviorismo e o Humanismo. Num segundo momento trabalhava-se a questão da ética. Tudo correlacionado em discussões com a formação proporcionada pelos cursos técnicos que a cadeira atendia. Nesse caso, atendia alunos e alunas dos cursos técnicos em publicidade e propaganda, contabilidade e secretariado. Entre as discussões sobre psicologia e comportamento ético surgiam de forma natural a indagação sobre como se comportar numa entrevista de emprego. Algo muito natural e oportuno daqueles jovens que procuravam naquele meio a qualificação e a oportunidade de inserção no mercado de trabalho.    
Mas afinal como comportar-se numa entrevista de emprego? Voltando a angustia do professor e dos estudantes. Do professor, pois como já afirmado, não se tinha experiência nesse campo de recursos humanos. Dos estudantes porque era também uma necessidade de obter a informação para conquistar uma vaga de emprego. Todos as noites quando o professor regressava das aulas para casa procurava respostas de como contribuir com aqueles jovens de forma concreta e dentro de suas capacidades.
Quem é da área da educação sabe que não existem fórmulas mágicas, prontas para aprendizagem, por outro lado, sabe que o esforço, o trabalho e a persistência são respostas para muitas coisas. Ao chegar em casa, o professor fazia muita pesquisa bibliográfica e leituras sobre o tema. Também conversava com amigos psicólogos para ver o que se exigia, qual era o método, o que realmente contava para o sucesso em uma entrevista de emprego, tudo para que seus os alunos tivessem sucesso.
Com o tempo constatou-se o óbvio, isto é, que numa entrevista de emprego também não existem fórmulas mágicas, e há um conjunto de fatores que influenciam. Por exemplo, do lado de quem busca um emprego o requisito básico é a formação e a capacidade técnica, a habilidade de transmitir a sua aptidão e motivação ao emprego que se está a candidatar. Pesa muito o autoconhecimento. Do lado de quem contrata, depende de qual perfil profissional a empesa procura contratar, por exemplo, se é uma pessoa de perfil mais extrovertido, comunicativo o que geralmente é dotado de grande carisma e poder de persuasão, liderança. Ou uma pessoa mais centrada, mais analista, detalhista e meticulosa. Há também a influência até do profissional recrutador.  
Atualmente, na internet, encontram-se muitas dicas de professionais da área orientando de como se comportar numa entrevista de emprego. Nessas dicas é importante prestar atenção no que é o básico, isto é, o cuidado com o horário, de chegar no tempo certo da entrevista, nem muito antes e muito menos atrasado; ter conhecimento sobre a empresa, quem são os dirigentes, qual o ramo, os valores da empresa, sua missão e visão, sobre o profissional que ela está à procura; vestir-se adequadamente ao cargo; no momento da entrevista demonstrar interesse, ter cuidado com a forma de se expressar, com uso de gírias (dependendo do cargo); procurar ser objetivo e claro nas respostas,  isso contribui para demonstrar que o candidato tem domínio e conhecimento sobre a área.
Com o passar o do tempo, percebi ser útil aqueles jovens estudantes, não necessariamente pelas dicas básicas que se encontra na internet de como se comportar no momento de uma entrevista de emprego, mas sim pela formação que se foi desenvolvendo ao longo da cadeira, do autoconhecimento que a própria leitura de psicologia lhes causou, da reflexão ética e da importância que é agir e procurar agir de forma correta, tanto no dia-a-dia, como nas atividades profissionais. Afinal o que mais pesa numa entrevista de emprego são as competências e habilidades técnicas, os valores humanistas e éticos que se constituem em uma pessoa, isso tanto no percurso profissional como na vida como um todo.
 




Jarbas Cardoso é professor, tem experiência em gestão pública. Atualmente reside em Coimbra, onde cursa seu mestrado em Inovação e Empreendedorismo Social.