06 junho, 2017

Como devo me comportar numa entrevista de emprego?

Quando professor de uma escola técnica, na cidade de Porto Alegre/RS, trabalhei com a cadeira chamada Psicologia da Comunicação e Ética. Nessa atividade, uma das perguntas que os alunos e alunas sempre faziam era: professor como devo me comportar numa entrevista de emprego? Essa indagação era sempre desafiadora. Primeiro porque também não tinha experiência em psicologia e em recursos humanos, segundo, porque percebia haver uma confiança muito grande daqueles jovens estudantes na figura do professor de psicologia.
O objetivo curricular da cadeira de Psicologia da Comunicação e Ética era desenvolver conhecimento conceitual básico sobre as principais abordagens clássicas da psicologia, ou melhor, era provocar no aluno ou aluna a compreensão das principais correntes de pensamento que compõem a psicologia, por exemplo, a Psicanálise, a Teoria da Gestalt, o Behaviorismo e o Humanismo. Num segundo momento trabalhava-se a questão da ética. Tudo correlacionado em discussões com a formação proporcionada pelos cursos técnicos que a cadeira atendia. Nesse caso, atendia alunos e alunas dos cursos técnicos em publicidade e propaganda, contabilidade e secretariado. Entre as discussões sobre psicologia e comportamento ético surgiam de forma natural a indagação sobre como se comportar numa entrevista de emprego. Algo muito natural e oportuno daqueles jovens que procuravam naquele meio a qualificação e a oportunidade de inserção no mercado de trabalho.    
Mas afinal como comportar-se numa entrevista de emprego? Voltando a angustia do professor e dos estudantes. Do professor, pois como já afirmado, não se tinha experiência nesse campo de recursos humanos. Dos estudantes porque era também uma necessidade de obter a informação para conquistar uma vaga de emprego. Todos as noites quando o professor regressava das aulas para casa procurava respostas de como contribuir com aqueles jovens de forma concreta e dentro de suas capacidades.
Quem é da área da educação sabe que não existem fórmulas mágicas, prontas para aprendizagem, por outro lado, sabe que o esforço, o trabalho e a persistência são respostas para muitas coisas. Ao chegar em casa, o professor fazia muita pesquisa bibliográfica e leituras sobre o tema. Também conversava com amigos psicólogos para ver o que se exigia, qual era o método, o que realmente contava para o sucesso em uma entrevista de emprego, tudo para que seus os alunos tivessem sucesso.
Com o tempo constatou-se o óbvio, isto é, que numa entrevista de emprego também não existem fórmulas mágicas, e há um conjunto de fatores que influenciam. Por exemplo, do lado de quem busca um emprego o requisito básico é a formação e a capacidade técnica, a habilidade de transmitir a sua aptidão e motivação ao emprego que se está a candidatar. Pesa muito o autoconhecimento. Do lado de quem contrata, depende de qual perfil profissional a empesa procura contratar, por exemplo, se é uma pessoa de perfil mais extrovertido, comunicativo o que geralmente é dotado de grande carisma e poder de persuasão, liderança. Ou uma pessoa mais centrada, mais analista, detalhista e meticulosa. Há também a influência até do profissional recrutador.  
Atualmente, na internet, encontram-se muitas dicas de professionais da área orientando de como se comportar numa entrevista de emprego. Nessas dicas é importante prestar atenção no que é o básico, isto é, o cuidado com o horário, de chegar no tempo certo da entrevista, nem muito antes e muito menos atrasado; ter conhecimento sobre a empresa, quem são os dirigentes, qual o ramo, os valores da empresa, sua missão e visão, sobre o profissional que ela está à procura; vestir-se adequadamente ao cargo; no momento da entrevista demonstrar interesse, ter cuidado com a forma de se expressar, com uso de gírias (dependendo do cargo); procurar ser objetivo e claro nas respostas,  isso contribui para demonstrar que o candidato tem domínio e conhecimento sobre a área.
Com o passar o do tempo, percebi ser útil aqueles jovens estudantes, não necessariamente pelas dicas básicas que se encontra na internet de como se comportar no momento de uma entrevista de emprego, mas sim pela formação que se foi desenvolvendo ao longo da cadeira, do autoconhecimento que a própria leitura de psicologia lhes causou, da reflexão ética e da importância que é agir e procurar agir de forma correta, tanto no dia-a-dia, como nas atividades profissionais. Afinal o que mais pesa numa entrevista de emprego são as competências e habilidades técnicas, os valores humanistas e éticos que se constituem em uma pessoa, isso tanto no percurso profissional como na vida como um todo.
 




Jarbas Cardoso é professor, tem experiência em gestão pública. Atualmente reside em Coimbra, onde cursa seu mestrado em Inovação e Empreendedorismo Social.